Locutor: Leia com paciência e calma. Coloque o cinto e desfrute a viagem. Use sua imaginação.
*Atenção: Esse texto é baseado em fatos reais e contem gatilhos.
"Bang!" - dispara o gatilho!
Sente... Sente... Sente... Ja era! Pensa, pensa, pensa: nó na garganta; angústia; água.
Lacrimeja.
Primeiro momento: respira fundo. Porém sente, logo pensa, pensa ...e o coração aperta.
Companhia: mantém o diálogo. "Finge que nada tá acontecendo." - diz o cérebro, afinal não quer incomodar ninguém.
"Voce é um fardo." - diz o cérebro.
"Voce tem que se comunicar.";"Esquece essa historia de que voce ta incomodando." - dizem. Mas ai "Voce não sabe fazer nada sozinha?";"Voce tem que ser forte!";"Voce não é mais uma menina." - dizem.
Contradição: confusão mental.
Segundo momento. "O que eu faço?". A vinte minutos da solidão: pensa, pensa, pensa, pensa; imerge; começa a afogar. "Quem pode me puxar? Alguma mão?".
"Chegamos. Você consegue, vai la.". Beijo; afeto. Partida. Daqui, é jornada solo. O corpo responde. Cérebro: você consegue mesmo? Taquicardia. "Meu busto vai sair do lugar? Por que ele ta saltando?"
Luzes. Pessoas. Movimento. Desconhecid@(s). Anda. "Pra onde eu tô indo?". Se informa. Segue. Um passo de cada vez. Cuidado pra não cair, pernas fracas!
Chega. Alívio? Expectativa? Pausa. Paralisa... Segue, pois precisa. "Eu vim vê-la". O outro: é por aqui! Processos, protocolos, negociações, tudo por ELA.
Ecocardiograma fetal.
Acolhimento. "Te ajudo a chegar."
Terceiro momento: clímax! "Como é que respira mesmo?" Afunda. Imersão concluída. Sofrimento eminente. A cabeça pesa. "Não consigo respirar!";"Consigo respirar?". Início da luta. "Vai se afogar?" - pergunta o cérebro.
Bate as pernas, nada pra cima! Onde atracar?
Nada, usa os braços, embora fracos e segue em frente. Salva-vida a caminho. "Vem, eu te ajudo!" - uma outra voz desconhecida. Nada só mais um pouco, quase lá. Obstáculo no caminho: momento de espera e o tempo não passa. Mas a cabeça corre e corpo já não obedece.
Mais um pouco de espera. "Você logo verá ELA" - diz outra voz desconhecida. Pausa novamente. Segura. Acabou a luta?
Isolamento imediato. Lágrimas. Desespero. Ranger de dentes. "Não posso morrer!"
Chegada em solo fértil. Oscilação. Conseguiu? "Aguarda mais um pouco.". Avista o fim do caminho: ELA. "Venha,chegou a hora!" Deita de costas pra baixo, mas a coluna dói. Concentra. Agora contemple ELA. "OLHA PRA CIMA!" - diz outra voz desconhecida, mas amigável. É ELA: cabeça, braços, pernas, tronco e CORAÇÃO. Átrios e ventrículos OK. Cardiopatia longe de alcança-la.
ELA bem: o meu bem. Quase cefálica, em concordância com as escolhas da guardiã, a que lutou até finalmente poder contemplar o momento.
ELA é amada. Esperada. Mimada. Acolhida. Todos providenciam: rede de apoio; AMOR. Amor pro depósito da vida. Amor para a nova vida. Finalmente alívio. Consequência da luta e o caminho percorrido: cansaço. Exaustão: física, emocional e espiritual.
Hora de continuar o cuidado. Fecha os olhos. Se alimenta e descansa. ELA é a protagonista. E tá tudo bem! Mas o depósito da vida tem vida. Dentro e dentro da vida que carrega. Guardai ELA. Guardem a mãe, botem no bolso a pequena e franzina.
Ela vai crescer. A nova vida também!
Locutor: O que sua imaginação contou? Fala pra gente o que achou ;) até a próxima!
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