terça-feira, 21 de abril de 2026

Casa

Eu fui RESISTÊNCIA.
Pra te ter em meus braços como eu queria, eu senti. Eu me deixei sentir o que sabia que sentiria, cada passo, cada respiração, casa dilatação, cada dor. Do lado de quem me amava, eu resisti! E poderia passar por todas as barreiras, eu fui força.

Eu fui DESISTÊNCIA.
Onde eu quis encontrar amparo, na ciência que devia me abraçar, eu insisti. Eu me deixei colocar obstáculos, questões pelas quais não deviam me impedir e do lado de quem eu era só mais uma, eu desisti! Me vi obrigada a ceder o que não queria, eu fui frágil.

Mas independente da forma, você chegou aos meus braços. Viva, saudável, forte. Eu fui casa.

E hoje você ta no mundo, mas pra sua primeira casa, saiba que pode sempre voltar. No meu colo você tem sempre um lar. Eu sou amor💕

terça-feira, 4 de março de 2025

Lágrimas

Tristeza não tem fim. Felicidade sim.

Disseram outrora.

Mas as águas que banham as janelas da vida acompanham ambos momentos:

Para regar a dor, a desilusão, a solidão e decepção: lágrimas para desaguar a infelicidade.

Para comemorar, se emocionar em momentos ímpares, para vibrar as conquistas mais únicas:
Lágrimas de alegria.

Nosso primeiro sinal de vida não é o abrir os olhos, mas o primeiro suspiro acompanhado do choro, embora sem lágrimas, nossa primeira forma de comunicação antes mesmo da fala.

O choro do bebê se expressa de diferentea formas, nas diferentes necessidades, sabia?


Porque uma poderosa ferramenta de comunicação e transformação se torna algo desprezível, insuportável, inadmissível para adultos? Para onde desaguar quando se engole o choro?

De todo modo, adianto-vos: o preço dessa bebida é cara. Custa comer canivetes e demais dolorosas penas. 

Não calem o meu choro. Não sequem as suas lágrimas. Não calem as vozes dos pequenos.

Um homem também chora, menina, morena.
Também deseja colo e palavras amenas - já dizia Gonzaguinha 😉

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Ninguém quer um pra chamar de seu

Ter um transtorno de personalidade é sobreviver diariamente e matar alguns leões por dia. As coisas podem melhorar quando o indivíduo tem uma consciência do que se passa e deseja mudar sua realidade. Mas custa muito, muito mesmo e nem todo mundo tá disposto.

Se reeducar para agir de forma melhor, estabelecer hábitos saudáveis, tomar as medicações da forma correta, mas a parte mais complicado e que ninguém fala são as pessoas que se envolvem nesse processo.

Quando se trata de um border, muitos vão desejar, mas ninguém quer um pra chamar de seu.

Eles são aquelas pessoas que foram treinados pra te agradar e sabem exatamente como fazer pra você se sentir a pessoa mais especial do mundo. Ele vai te elogiar, vai te engrandecer, vai te apoiar e cuidar de ti. Mas ninguém tá preparado pra cuidar dele quando ele perde o controle emocional e fica agressivo como um mecanismo de defesa pessoal.

Eles vão aprender tudo sobre você, te observar em cada detalhe, saber de meio mundo de coisas que você gosta. Mas ninguém tá preparado pra lidar com a chantagem emocional de um quando ele não consegue o que quer e se sente desamparado, odiado, esquecido.

Ele vai te fazer viver intensamente, passar por aventuras, situações inusitadas e de muita risada. Mas ninguém quer a intensidade dele no seu momento de mais profunda tristeza, onde os pensamentos de viver grandes emoções dão espaço para a finitude da vida.

Ele soa presunçoso nos momentos de boa auto estima. Mas se torna insuportável quando ela tá em baixa, capaz de se dar os piores títulos possíveis e falar coisas absurdas pela sua distorção de auto imagem.

Parecem muito doces, mas podem ser profundamente cruéis e a literatura médica os rótula por instáveis em quase tudo, inclusive e principalmente nas relações. 

Podem ser pessoas maravilhosas e completamente entregues nas relações. Mas a verdade é que ninguém quer um border pra chamar de seu. É duro. É pesado. É triste.

É difícil ter medo de ser abandonado e a maioria deles optam pelo ímpeto de abandonar primeiro. Mas na real, quando são pessoas reais, o abandono é inevitável.

A quem recorrer? Por quem ser acolhido? Profissionais? Terapeutas? E quanto às outras relações interpessoais? 

Procura-se respostas.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

CPF inválido

Nome: Fulaninhe da Silva
Matrícula: Xxxxx xx xxxxxx xxxx x xxxx
Sexo: pessoa
Cor: humana
Estado civil: solidão 
Idade: tempo suficiente para estar cansada
Naturalidade: planeta terra
RG: agora só números inutilizáveis
Filiação: pais ricos e bem sucedidos; ou mãe solteira; ou pai viúvo; ou avós; órfão; ou pais narcisista; ou pais adotivos [...]
Residência: bairro nobre da cidade? Favela? Zona rural? Palafita? Barraco? Agora em residencial de outras almas eternas.
Data e horário de falecimento: dia em que o cansaço não cedeu espaço para escolhas, num horário em que ninguém poderia impedir.
Causa da morte: parentes e amigos afirmam ser desconhecida. Ou conhecida por tempo demais pra alguém ter feito alguma coisa, mas não tiveram tempo.
Sepultamento: preservação do corpo que era templo do espírito santo? Ou distribuído aquilo que ainda se pode aproveitar para quem anda precisando? Ou transformado em pó antes que o corpo escolha o fazer?
Observações:
O óbito não foi uma causa, mas uma consequência.

Consequência do cansaço. Falta de esperança ou falta de ânimo? Falta de emprego, falta de dinheiro, falta de companhia, falta de tempo, falta de descanso, falta de comida, falta de sobriedade, falta de amor... E que falta a falta faz! Um buraco no peito? Um vazio? Uma angústia constante ou inconstante? Muitos altos ou muitos baixos?

Familiares e amigos ficam. Fica a saudade eterna ou fica a culpa eterna?

O abraço que não recebeu. A escuta ativa que não conseguiu. A consulta médica que não obteve. A medicação que não surtiu efeito ou que se quer fez parte disso tudo. A terapia que não aconteceu. O alívio que não sucedeu.

No fim, ninguém entendeu. Assim como ninguém entendia. Bem como talvez nunca entendam.

Talvez o fim fosse por essa razão. 

Causa da morte: voluntária.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Fênix

Te descobri.

Entre enjôos e mal estar, entre fomes e desapetite. Entre desejos e sonhos. Te descobri.

Eu morri.
Tive medo, desespero, inseguranças. Não sabendo o que sentia e sentindo tudo ao mesmo tempo. Confusão mental, esquecimentos, tristezas e solidão. Eu morri.

Marquei de te encontrar.
Fui saber mais da tua existência, combinei data e hora pra te conhecer. Te vi. Te senti e teu coração pela primeira vez ouvi.

Eu cresci.
Me preparei pra te receber fora de mim. Me preparei pra ser teu lar dentro de mim. Aprendi a me cuidar pra poder cuidar de ti e até hoje isso ainda é uma lição.

Eu nasci.
Você veio, habitou por 9 meses e me gerou. E agora meu coração bate fora do meu peito e eu não sei mais o que é viver um dia sem ti.

Te descobri, morri, te encontrei e cresci. Eu nasci, te conheci, resnasci e vivi. E agora minha vida é te fazer viver a cada instante e todo dia um pouco mais.

Te ver nascer, te ver crescer e cada vez mais te conhecer. Fiz de mim teu alimento e mais um elo se formou. Minha vida se tornou te amar e a cada instante que me passa, te viver e te encontrar, eu me encontro e me remonto. Me transformo e renasço. Teu sorriso é meu abraço, tua voz o meu consolo.

Minha jornada ganhou mais sentido, a vida ganhou mais brilho e embora tu voes um dia, pro teu ninho podes sempre voltar.

Te encontrei e cresci. Morri e nasci. Te amei e renasci. E a cada dia que passa, esse amor só se espaça e nem o infinito é capaz de abarcar o tamanho que ele fica a cada dia que passa.

Te gerei, te esperei, te pari e te cuidei e a cada dia que me dou e formo um pouco mais de ti, me fortaleço e me transformo, me reinvento e e renovo.

Te quero bem, livre, gigante e sempre avante. Faz teu fio do tempo, fia tua história. Eu vou ficar aqui te assistindo e assistindo tudo de perto, sempre à espreita do que for precisar.

Te amo, filha. Mamãe tá sempre aqui.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Quem se ama

Reconheça seu autovalor e valorize quem te ama.

Quem te ama vai te amar quando você tá feliz, mas vai te amar quando você tá triste também, embora queira te ver bem, vai validar os teus sentimentos e te dar o direito de senti-los, de chorar, de colocar pra fora sempre que precisar. Todo mundo sofre algumas vezes na vida e quem te ama reconhece tuas forças independente das tuas lágrimas.

Quem te ama vai vibrar contigo cada pequena vitória sua, desde aquele bolo que conseguiu fazer àquela vaga de emprego que você arrumou. Mas vai te consolar nas tuas derrotas ao invés de te fazer se sentir incompetente por isso.

Quem te ama se preocupa mais em potencializar tuas qualidades ao invés de evidenciar sempre os teus defeitos. Ela sabe que você precisa melhorar como pessoa, vai te ajudar no processo de forma gentil, respeitando teus limites e tuas falhas. Sabe que você erra e se magoa com você, as vezes, mas sempre vai dialogar sobre como se sente diante da situação, pois te quer por perto e lava a roupa suja pra que ela não se acumule e estrague a relação.

Quem te ama te observa, te acolhe e não te rejeita nos teus momentos ruins. Não te fará se sentir mal por ser quem se é, mas mostrará com amor como você pode ser, te acreditando, incentivando e te ajudando a ser melhor.

Quem te ama não te joga pra dentro do poço no ápice da amargura, não te rejeita, não te olha com desprezo, mas sempre com ternura. 

Quem te ama não te vê chorar e se irrita ou desdenha, mas se compadece, oferece colo e tempo pra dividir a tua dor e diminui-la

Quem te ama vai ouvir tua história por mais idiota que seja, vai sorrir contigo ou de ti, mas nunca te jogar um balde de água fria por compartilhar seja lá o que for com ela, afinal, só de você compartilhar, já é de grande valor pra ela fazer parte da sua vida.

Quem te ama te deixa sempre ir, mas te quer por perto e valoriza te ter, não agindo como se você tivesse sempre na mão, mas te dando a mão pra caminhar sempre que for preciso, independente de distância física.

Quem te ama não se ofende pelo teu conhecimento, ela sabe que você tem muito a agregar, mesmo que você seja especialista naquilo que ela tá falando, o diálogo pode trazer mais sabedoria pros dois e ela reconhece que sempre se puder aprender mais. Te celebra, faz por ti sem querer algo em troca, basta saber que te faz um bem e ela já tem a retribuição de que precisa.

Ela sabe que reciprocidade é importante, mas a medida do amor é amar sem medidas.

Quem te ama pode te fazer chorar um dia, mas vai querer te ver sorrir os outros 6 da semana e o resto do mês inteiro. 

Quem te ama também tem defeitos, mas se preocupa mas em ser melhor do que te tornar melhor pra ela.

Quem te ama não te deixa na dúvida sobre te amar.

Te ouve, te consola, te celebra, te impulsiona, te perdoa, te observa, te resgata, te acolhe, te deixa livre, te irradia e te quer cada vez mais você.

Quem te ama vai te amar sempre, independente do que você tem pra oferecer no dia. Não é sobre o que você pode oferecer, mas sobre valorizar quem e o que você é na vida dela.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Na minha época eu cuidava de tudo sozinha!

          A mesma geração de mulheres que abre a boca pra dizer que "sempre cuidou dos filhos e da casa sozinha", querendo dizer com isso que não tinha rede de apoio, é a geração que geralmente abria mão de uma jornada de trabalho de sucesso fora de casa e que no fim do dia, terminava com bastante cansaço e já pensando no trabalho do dia seguinte, com uma condição de saúde mental insalubre pela falta de descanso reparador e de cuidado consigo mesma.
          É a geração que colocava a televisão pra filho menor de dois anos se distrair pra poder dar conta dos afazeres domésticos, gesto comprovado cientificamente fazer muito mal pro desenvolvimento cognitivo da criança, gerando adultos com distúrbio de aprendizagem ou problemas de vista que nem sabem que tem, não por maldade, mas por ignorância. 
          A mesma geração que usava artifícios como andador para fazer a criança percorrer os espaços da casa em "segurança" e "andar mais rápido". O mesmo andador que hoje, comprovado cientificamente fazer mal pro desenvolvimento motor da criança, atrapalhando o desenvolvimento do sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) e da coordenação motora, criança que muitas vezes não sabia nem cair e que viviam com edemas na testa, gerando adultos que, se tiveram sorte, não possuem problemas com musculatura, coluna ou algo do tipo. O mesmo andador que não é recomendado pela Anvisa, pois já houveram diversos casos que mostram que as vantagens são muito menores comparadas aos danos que já causaram pra muitos bebês.
          A mesma geração que não sabia que o bebê podia chorar por necessidade de colo, condição de qualquer mamífero novo (não só o humano), o mesmo colo que, comprovado cientificamente,  cria vínculo maior com seus cuidadores primários e faz com que o bebê se sinta mais seguro e amado, gerando um adulto que é emocionalmente mais saudável, autoconfiante e menos ansioso. E que o contato pele a pele auxilia no desenvolvimento do sistema nervoso central, responsável por receber e processar informações de estímulos recebidos no corpo. Não, a criança não tá fazendo manha, ela é naturalmente mais carente e se quer entende que tá no mundo, quem dirá ter essa malícia. Bebê não sabe nem o que é bondade e maldade, ele aprende com o adulto.
          A mesma geração que não sabe regular suas emoções, que na hora da raiva grita, agride com palavras e as vezes até fisicamente o outro, e que não entende que o adulto em questão é ela e que a criança vai fazer birra SIM. Que o "excesso" de colo não tornou ela mimada, ela simplesmente ainda não sabe lidar com a própria frustração de não ter aquilo e que ela quer e que não sabe regular suas emoções, não sabe como expressar o que sente e nem dar nome a esses sentimentos. Ela aprende com o adulto.
          A mesma geração que na hora da birra, usava o "pulso firme" pra fazer a criança entender "quem manda", sem saber que a criança se molda conforme agrada o seu cuidador primário, futuras crianças mais suscetíveis a abusadores e gerando adultos que as vezes não sabem bem o que querem, que estão sempre preocupados com o que o outro vai pensar, preocupados em agradar o outro e se negligenciando, causando problemas emocionais as vezes irreparáveis ou extremamente danosos à própria vida, reféns de pessoas narcisistas, que aceitam violências contra si e no final ainda acham que "merecem".
          A mesma geração que não sabia que o choro inconsolável do bebê não era só fome, mas também: gases, cólica, excesso de estímulos visuais ou auditivos (bebês têm a audição e a visão mais sensível), sono, MUITO SONO, insegurança, medo e etc. Chorar é a única forma que ele tem de se comunicar, pois ainda não sabe usar a linguagem verbal ou gestual. Ele sequer sabe que pode movimentar o corpo conforme ele deseja e nos primeiros dias, não tomou nem consciência de que ele tem um corpo e não sabe nem que é um indivíduo.
          A mesma geração que nunca ouviu falar na "angústia da separação", momento em que o bebê toma consciência de que ele e a mãe não são uma coisa só e que quando não consegue ver a mãe, acha que ela foi embora e não vai mais voltar. A insegurança de saber que a mãe, sua primeira casa, seu primeiro aconchego, seu porto seguro, não sumiu porque morreu ou o deixou abandonado, mas que teve que se ausentar por alguns minutos ou horas e logo mais estará de volta. Ele sente uma tristeza profunda e quando toma consciência que a mãe finalmente voltou e está ali pra ele, ele pode chorar por ser uma forma dele desabafar toda aquela saudade que ele estava, não porque "só ficava no braço da mãe", mas porque sente o amor dela e não sabe que não precisa do toque pra que aquele amor seja sempre presente.
          A mesma geração que dava mingauzinho pro bebê dormir a noite toda. O mesmo mingau que possui uma única textura e um único sabor, pobre em nutrientes e uma bomba de açúcar, gerando crianças que logo mais vão dar trabalho pra comer alimentos saudáveis e de diferentes consistência e sabor, criando um paladar mais suscetível ao que é doce (semelhante ao sabor do leite materno, único alimento que ele conhecia até então) e rico em carboidratos. A criança que futuramente terá problemas nutricionais, problemas de glicemia, obesidade e suscetíveis a diabetes, carentes de vitaminas necessárias pro corpo e seu bom funcionamento.
          A mesma geração que dava um suquinho pro bebê, sem saber que é mais vantajoso oferecer a própria fruta por preservar a quantidade de nutrientes que ela possui, sem causar futuramente um desequilíbrio nas taxas de glicemia da criança que se tornará.
          A mesma geração que trocava uma deliciosa laranja ou algumas acerolas por vitamina C efervescente industrial, na intenção e ingenuidade de acreditar que esse feito ajudaria na restauração da imunidade da criança.
          A mesma geração que não teve aulas de biologia na escola, disciplina fundamental para conhecer como a vida (não só a humana) na terra é fascinante, não conhecendo muuuuuito do que o próprio corpo, para além da carcaça aparente, não entendendo sobre cuidados necessário a ou não contra os microorganismos existentes. As vidas que a gente não consegue ver a olho nu, mas que estão ali, as diferentes relações que existem entre essas "microvidas" e as macro e os benefícios e malefícios que possuem essas relações. A mesma geração que acreditava que as roupas e fraldas do bebê seriam livres desses microrganismos se elas fossem passadas a ferro e que assim, o organismo do bebê estaria mais protegido, sem saber que diariamente convivemos com inúmeros desses microrganismos presentes no corpo e que a passagem de muitos deles por nós é necessária pra que possamos ter anticorpos e uma imunidade maior, nos preservando de adoecer nos próximos contatos.
          A mesma geração que não tinha conhecimento de tudo isso que foi aprendido e apreendido pela ciência, importantes para o desenvolvimento de um bebê e que criar um não é só manter ele vivo e alimentado, mas muito, beeem muito mais que isso e que todas as nossas atitudes, formas de lidar com ele e o que ensinamos nos dois primeiros anos de vida é fundamental pro adulto que ele vai se tornar.
          A mesma geração que não sabia a diferença de ser pai e ser rede de apoio e que ABSOLUTAMENTE não são a mesma coisa! Que ser pai não é só ser provedor, mas muito mais que isso, e que a única coisa que a mãe faz que ele não pode fazer (se o bebê só mama) ATÉ O SEXTO MÊS, é alimenta-lo. Que a jornada de trabalho, embora ponha comida na mesa e uma vida mais "confortável", com contas pagas, não o isenta de também ser responsável pelo cuidado e desenvolvimento da criança e que o cansaço dele não é mais importante que o dela.
          Não, você não sabe como criar o filho da outra. Todos os longos anos de experiência que você teve, até com mais de um filho, pode nem servir pra ela em quase nada. Você não possui todo esse conhecimento que acha, afinal, a vida é um eterno aprendizado e todos nós, independente da idade, ainda estamos aprendendo e você não é menos nem mais por isso.
          Ninguém sabe melhor do que ela mesma o que é melhor pro filho dela e principalmente pra ELA, que também é um indivíduo, também precisa de saúde, do outro e que, para além de mãe, também é mulher e pode possuir outros papéis na sociedade que não só esse. Que ainda tem necessidades, desejos, sonhos e que precisa dessa pausa especialmente no primeiro momento da vida de sua cria pra se adaptar e fornecer tudo o que ele precisa, com o mínimo de traumas possíveis para aquele, mas também pra ELA.
         A "nova mãe" não nasce com o bebê, ela já começa a se tornar junto com a vida que está sendo gerada em seu ventre e que já precisa de cuidados desde a concepção e não é você quem decide quando ela finalmente se tornou uma mãe ou vai validar o quão mãe ela é.
          Que ser uma mulher que também trabalha não faz dela "menos mãe" põe causa disso.
          Não romantize a vida de sobrecarga que você teve pra dizer que és mais mãe e tem mais valor que a outra, que decidiu ser para além disso.
          A mesma geração que AS VEZES, não entendeu que ser mãe é mais aprender que ensinar; acolher e ser acolhida; amar e ser amada; ser respeitada e respeitar.
          E que tudo que a "nova mãe" tem adquirido de conhecimento, não serve pra te fazer mais culpada pelos erros que você não sabia que cometia, mas pra cuidar com muito mais amor e zelo pela sua cria que é DELA.
          Quem nos ensinou que tínhamos tanto que nos odiar mais que nos ajudar? Quem nos ensinou a corrida pelo ranking no quão na verdade, todas nós devíamos ser vencedoras? Quem nos ensinou que o saber se cristalizou? Quem nos ensinou que a "nova mãe" não sabe de nada porque não viveu? Quem nos ensinou que ninguém melhor que as mulheres para entender outras mulheres?
          Abaixo à rivalidade feminina em todas as suas instâncias! Que o ódio à cisão entre elas substitua o ódio ENTRE ELAS!
          Minha prece de mãe é que as mulheres se amem bem mais que isso...